25 junho 2015

Nico Fagundes

Este post é uma homenagem ao grande tradicionalista gaúcho Nico Fagundes.

A música gaúcha faz parte de mim, o sangue farroupilha, as celebrações culturais, o chimarrão. Passar o domingo tocando e cantando "Querência Amada", "Canto Alegretense", "Guri" era uma rotina sem explicação, que não tinha nada de costumeira.
Nico era o representante máximo de tradicionalismo e amor ao Rio Grande do Sul. Sua voz era a primeira que ouvíamos aos domingos, ele era o regente do canto ao amor à terra do Rio Grande do Sul

Nico nasceu em 4 de novembro de 1934, ele era poeta, cantor, advogado e apresentador televisivo. Nico começou no trabalho cedo, aos 16 anos como repórter e cronista no jornal Gazeta de Alegrete e como apresentador de programas de rádio na Rádio Alegrete.
Aos 20 anos Nico regressou à Porto Alegre e rapidamente se juntou com o pessoal do Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG), e naquela mesma época começou a trabalhar no jornal A Hora e na TV Piratini. 
Nico foi desde 1982 o homem que falava "gaúchos e gaúchas de todas as querências" no domingo de manhã na apresentação do tradicional programa regionalista, Galpão Crioulo. Com seu irmão Bagre Fagundes e com os sobrinhos Neto, Ernesto e Paulinho formou o grupo Os Fagundes, referência na música gaúcha. Nico também era poeta e como tal, escreveu os versos da música Canto Alegretense. Em 2013 foi publicado em sua homenagem um livro com os poemas que ele nunca registrou.
Nico Fagundes sofreu em 2000 um AVC que tentou o derrubar, mas não foi o suficiente e ele conseguiu voltar ao seu lugar no Galpão Crioulo. Em 2010 uma infecção o deixou em coma, mas de novo ele se reergueu e seguiu firme com o tradicionalismo gaúcho. Há um mês atrás Nico foi internado com problemas respiratórios, e ontem (24 de junho) ele finalmente descansou. E pra quem acha que ele perdeu a guerra, ele tem a resposta desde 1983 em um dos versos das músicas mais bonitas do Rio Grande do Sul, o Canto Alegretense. Os versos são os que seguem.


"E na hora derradeira que eu mereça
ver o sol alegretense entardecer
como os potros vou virar minha cabeça
para os pagos no momento de morrer.
E nos olhos vou levar o encantamento
desta terra que eu amei com devoção
cada verso que componho é o pagamento
de uma dívida de amor e gratidão."


Muito obrigado Nico Fagundes!







Canto Alegretense:

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