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12 fevereiro 2018

Sete

Hoje faz incríveis 7 meses. Breves 7 meses. Sete meses em forma de furacão. Sete meses de um novo norte e de uma nova vida.
Só sei que a encontrei, e o resto, hoje em dia, eu já deixo passar - não vale a pena dominar a cabeça com algo que já está totalmente dominado por ela.

Eu virei do avesso, no começo não sabia lidar com a mais sincera atenção, com uma atenção que provocava arrepio desde os nervos da mão até a espinha dorsal. Eu nem sabia olhar para ela. Não sabia se precisava me fixar nos seus olhos, se precisava percorrer o seu rosto com meu olhar, se alternava entre lábios e olhos, eu realmente me confundia e tinha medo de destoar com a perfeição que ela sempre me foi.
Claro que com o tempo esses medos viraram experiência e o meu encantamento foi se direcionando para os detalhes: a mordida do lábio, a desenvoltura ao andar, o toque das suas mãos, o cabelo escorrendo pelo rosto - tudo me fascinava e ainda me fascina, me extasia, me apaixona...é a mais bela rotina de beleza e admiração que tenho por essa mulher. A mulher que eu já ouso chamar de minha - ó quanta audácia, tornar privado o que já me tomou por inteiro! E rio, porque são as minhas considerações e acho que ela gosta disso.

"A gente sabe quando é", era o que minha mãe sempre dizia quando eu a questionava sobre amores e afirmações. E por mais simples e efêmera que essa resposta possa parecer, é exatamente isso, você sabe quando é, e eu sei muito bem, é o "é" de éterno!! "É" de para sempre, "é" de uma vida é pouco para esse "é".
SETE meses é difícil de explicar, é uma data constitucional que fica entre a confirmação e selamento de um relacionamento e o entusiasmo do novo e recém conhecido. Felizmente para mim 7 meses - 7 sendo ainda o número da perfeição - é o decreto de que não preciso mais nada além dela. É inexplicável! Ela é minha companheira de festa, companheira de show, companheira de basquete, companheira de futebol americano, companheira de futebol brasileiro, companheira de música, é o meu ombro amigo, é meu exemplo de dedicação, é o meu anseio de inteligência, é a minha filósofa, minha psiquiatra, é a que manda e a que cuida do meu coração, é a minha audácia de chamar de minha.
Sete meses ou 0,583333 de ano vieram para me mostrar que minha vida é a felicidade de passar o resto da minha vida fazendo ela ser a pessoa mais feliz desse universo - é meus amigos, a vida foi generosa comigo. E ela também foi generosa com a vida, adotando esse maluco apaixonado que não para de pensar nela.

09 outubro 2017

Ter te

Ter te todo acesso sem nenhum arrepio
É te viver através de uma deriva de soneto
Te procurar num vento devaneio
Ter cabeça mas não ter a razão de se transbordar

É sentir a pluralidade fazer-nos singular
Sentir meu peito guardado nos teus verbos
Ter tua forma transfigurada na minha impaciência
Ter meus erros registrados e meus traços copiando tua indecência

É temer veementemente o último
Duvidar do amor já ladrilhado
Ser escancarado quanto ao futuro
E ter o futuro escancarado

E se no fim, isso é ter o teu lado
Que eu tenha sem cortes
Que a loucura seja a minha sorte
De andar contigo, de mãos dadas ou abraçado.

11 setembro 2017

O valor de amar

Por que paramos quando nos amam? Ser amado no fim das contas é o objetivo final? Ao que tudo indica, sim.
O objetivo final da vida é ter alguém que nos ame - ter a única pessoa que tu quer que te ame - talvez a pessoa que tu esperou a vida inteira que te amasse. No fim, o objetivo final da vida é ter.
São pouquíssimos os que terão alguém essa condição sub-humana de dependência, a maioria vai aceitar um pseudo-amor, sustentado por uma relação frágil - o conformismo é assustador. E é quase impossível encontrar alguém que valorize a condição sub-humana do outro. É um raciocínio simples, o que fazer por alguém que já te ama? Manter um amor parece chato e partimos pro blazer, tentando configurar e formatar o amor alheio.
Por esse caminho os casais se separam, e por essa condição ouvimos que "o amor acaba", claro que acaba, óbvio - se paramos de comer, morremos - o amor é a perfeita analogia, se paramos de alimentar, ele morre, simples. Sem mistério e sem dica.

Quanto vale o amor? O amor pode variar da poesia ao pé do ouvido até um "eu lembrei de você" quando ouve uma música que haviam comentado há 13 dias atrás.
O amor é o quanto que dão de variabilidade para ele, o amor não tem uma tessitura própria, o amor é a combinação de tessituras, o amor não é só falar eu te amo, o amor é simplesmente não saber que é  amor porque nunca sentiu antes, o amor é ficar paranoico e preocupado com que o outro pensa de ti, o amor é saber que o outro também pensa em ti, o amor é sentir que por mais que não queira, somos dependentes, o amor é acima de tudo saber que essa dependência não é ruim, mesmo quando não se tem segurança.

30 agosto 2017

Minha metalinguagem

Escrever pra mim é um processo doloroso. Encontrar a linguagem, ter a expressão bem definida e principalmente saber a hora de parar, faz com que a escrita seja o pior processo da criação. Luis Fernando Veríssimo confirma minha tese. Nós gostamos do texto quando já escrito, formatado, publicado, sem aberturas e correções.
Vou contar um pouco do processo.
Escrevo para um blog - meu blog -, tal fato me dá total liberdade de publicar exatamente o que eu quero - eu me coloquei ao lado de Luis Fernando Veríssimo e ninguém disse nada - e no momento que eu quero, não careço de pré avaliações antes de ir a público. Levo na escrita o total mérito e o total fracasso. E isso é que mais me faz considerar o erro.

Estou no meio do processo de escrita de um livro e isso não é nada prazeroso. Enquanto aqui eu posso publicar um universo de possibilidade - desde uma estrofe de um poema, passando por reflexões em primeira pessoa, até contos - no livro eu tenho que seguir uma dialética própria. Eu sei que é uma dialética que eu mesmo pré estabeleci, mas lembre-se que também é uma dialética que qualquer livro sério deveria ter.
No fim, sempre chegamos ao ponto final da história, o que diferencia é o processo. O meu? Sento, escrevo, apago, reescrevo, apago, sofro, penso, apago, escrevo, desisto, retomo, crio, apago, escrevo, cansei e vou ler um livro. Depois retomo, escrevo, apago...
Fico imaginando quanto tempo vou demorar para escrever, não me tenho sob pressão - essa é uma das vantagens do mundo independente. Já propus uma noção de tamanho do livro e de cada história - sim, são contos (contos sujos) - e tenho uma linha literária que julgo só viver a margem.

Só tenho a prioridade de traze-lo quando realmente eu estiver satisfeito. E isso é o que mais me perturba.

24 agosto 2017

Estar nos padrões

Já adianto que o texto de hoje é carregado, não sei definir bem o formato, também pudera, não sou professor de português.
Ah! Mas lembrando, caso goste, pode chamar até de bula.

A ordem no planeta mais soberbo do sistema solar é ditada por padrões. Padrões de beleza, padrões de sucesso profissional, de realização pessoal, de configurações familiares, padrões de andamento da nossa vida naturalmente triste. Uns chamam de rotina, eu chamo de tormento.
O que mais sustento na minha tese que critica os padrões, é que nas abstrações esses tais padrões não se seguem. Abordamos a felicidade e colocamos ela como única e espontânea, não guardamos em prateleiras, nem determinamos local ou momento de acontecer. A tristeza por sua vez vem na ordem sorrateira, que não se mede, que nos pega de supetão, que nos derruba, que não conserva, que deprime.
Não é chutar o balde, apesar que um pouco de anarquia faz bem, mas parar de justificar os fins pelos meios, que são ilicitamente destoantes. Paremos com os padrões, paremos com o modo certo de viver; NÃO, não é para você acabar com a moralidade, nem adotar um egoísmo metodológico - não use as brechas do meu texto para ser um idiota.
Estar nos padrões é dita como uma condição básica de felicidade, não estar nos padrões é dita como a busca dessa felicidade estacionária. Chegar no padrão e não ser feliz é uma questão modal e é dita como problemas estruturais e talvez sem resposta. Ser estruturalmente do padrão e sentir-se infeliz é uma questão existencial irremediável. E constroem drogarias e manipulam os remédios.
Acabar, reduzir a irrelevância, inverter a ordem não garantirá felicidade da nossa raça, ninguém andará vestido com uma túnica branca, ou fará uma nova Woodstock, nem celebrará a paz. Os padrões estereotipados e amplificados pela mídia são apenas um dos minúsculos fatores que justificam a infelicidade de nós seres pensantes. A vida é muito mais que um padrão, viver é muito mais que seguir um modelo, viver é ser culpado pelo erro e ser sortudo pelo acerto. Então vamos nos animar.

22 agosto 2017

Eu discuto o tempo

Talvez eu seja o maior ignorante que a terra já viu nascer. Tudo é complexo e complicado de entender. Tenho a mania de teorizar o que necessita apenas de exemplificação. É a minha sina.
Não sei administrar o tempo, consequentemente, minha vida. Ponho prioridades e enumero-as.

Eu me alimento diariamente da ideia que o tempo é o único meio que não podemos compensar, haja vista que não o temos, ele simplesmente passa, como um vento devaneio, é a mais abstrata das contrações da vida.
O tempo é cruel, não podemos controla-lo, só temos conhecimento do tempo que passou e chamamos tudo de experiência ou frustração - é a nossa necessidade de classificar a qualidade do nosso tempo. O tempo nos destrói, temos medo de perder o tempo que não temos, construir em cima do tempo que não nos dá segurança, o tempo condiciona o medo, o medo dita a vida. O tempo é o nosso pai.
O pai que não nos diz quando fazer, nem como fazer, o pai que impõe castigo sem julgar o motivo. O tempo é o único pai presente que se recusa a aparecer. E não podemos discutir com o tempo, ele não nos dá esse direito; enquanto falamos, ele passa; enquanto mudamos, ele passa; enquanto paramos, ele passa. O tempo vê nossa ascensão e a nossa queda, vê do primeiro ao último suspiro, vê o que escondemos e é curativo para o que nos esconderam. O tempo é a alegria de possivelmente tê-lo para gastar e o culpado pela derrota de não termos para consumar - a seleção brasileira e Napoleão foram excomungados pelo o tempo. O tempo não nos ouve.
Com o passar dele mesmo, o tempo vira o nosso amigo - como um pai pode ser - é o fundamento dos momentos, não te julga, só te faz julgado, nos controla e nós dizemos que o tempo é o melhor remédio. Mas que tempo? É...ele mesmo, o tempo que não temos e esperamos ter.
Eu discuto o tempo, questiono o tempo, brigo com o tempo, perco para o tempo, sonho em ter tempo e me conformo com as condições que ele me dá, as condições da única opção que temos, que é deixar ele ser devaneio, como nós, que somos efêmeros na sua contagem.
O que nos resta? Ser o clichê do tempo, aproveitar o tempo, esquecer o tempo, saber que ele é vazio ao mesmo tempo que te faz refém, que ele mora e sonha contigo, que ele te condiciona a existência e que não brinca em serviço, que ele é o teu eterno momento e que principalmente, ele não precisa de ti. O tempo te acorda e te apaga e a gente vai embora com o tempo. E o tempo? O tempo está passando.

16 agosto 2017

Minha visão egoísta do amor

Tentar buscar sublimidade e entendimento nos desencontros da vida é uma tarefa demasiadamente inútil. Não sei os porquês que figuram entre a gente, só peço que figurem mais vezes. Eles nos fazem muito bem.
É engraçado como no primeiro encontro nos pegamos ao mesmo tempo com expectativas próximas e distanciamento do futuro, dou culpa ao medo. Sentamos, conversamos, procuramos ideias nos reflexos que nos dão, no fim consumamos e tratamos como superficial e rotineiro - e não é. Eu sempre penso sobre todos os objetos que omitimos nas conversas, a franqueza negada, que é o pressuposto da intimidade que até então não temos. Vamos sempre abrindo o jogo aos poucos - com segurança - até algum estalo permitir o mais intenso dos afetos - o amor. Mas até lá são pedras.
Minha visão egoísta do amor presume na importância que o afeto tem nas pequenas coisas, talvez presuma também no quanto as músicas do Marcelo Jeneci fazem sentido, ou no quanto os arredores ganham mais brilho, quando a chuva ganha conotação parisiense e o sol desvenda os mistérios mais belos da tropicalidade. É quando se ganha novos olhos.
Nunca fui de fazer nem de desvendar planos, objetivar um nível de relacionamento nunca será minha prioridade, eu sempre fui desprendido e isso que me leva até ela, isso que me leva aonde eu quero sem pensar em querer. Já sinto a saudades que não dói, o afeto nos assuntos que não vinculam naturalmente o afeto, já imagino a série com alguém palpitando, o mundo com alguém para discutir, a vida com ela para dar sentido.

09 agosto 2017

Cartas para não serem lidas

Não vou explicar o texto, apenas contextualizar. O eu lírico traça por meio de 5 cartas um relacionamento intenso e confuso, um caso sem resolução.

CARTA 1
Nos cruzamos como desconhecidos de próprios e longínquos mundos. E o tempo segue o curso. Eu, a minha órbita.
Cheguei em casa, e teu nome pintado de azul com um número do lado, ainda não tinha aparecido. Não reclamo, eu fiz por onde, te provoquei o fim de semana inteiro; e tu, como sempre, continuou com teu projeto de correspondência ao que foi dado, nunca respondeu mais do que eu perguntei, nunca demonstrou interesse ao ponto de parecer-me interessada. Ora, tu és a calculista de nós dois. Quanto a mim? O provocador.
Não sei o que sentes, nem se sentes, mas sei que pensas se sentes, por isso continua presente. Não há como negar como nossos olhos se procuram e se grudam, como ímãs; apesar de puxar o meu, como uma tentava de tirá-lo do teu foco - sempre em vão - não o culpo por fixar-se na miragem que é o teu.
De noite, o travesseiro e o reboliço que me causa, contorço-me de um lado para um outro - é a minha tônica - imaginado construções futuras de dias perfeitos, junto com as infinitas razões para dar errado, considerando-me como a principal. Sim, eu sei, tenho culpa por nós dois, porém espero que entenda que conversar contigo é pisar em falso, teus olhos palpitam como se procurasse algo que eu não tenho, e nunca terei - e nesse caso a culpa cai no teu colo, já que não me deixas mostrar. Prefere sentir-se distante. E me distancio.
Mais um dia...e o que calculou hoje? Mentiras? Disfarces? Omissão? O mais provável é que estejas alquimiando tudo desta vez, provoca a desordem da forma mais organizada possível, as vezes sei que esqueces e mistura verdades, é inevitável, tua humanidade ainda transparece, mesmo que sem o brilho do erro, mesmo sem tua verdadeira voz. Saiba que a única coisa que me faz em ti é o reflexo que transpõem em teus olhos, pois é único que não pode enxergar. Por isso não feche se ainda goza da minha contada presença.
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CARTA 2
Preciso confessar: Como é difícil te escrever! Uma tortura para o cérebro, um alvo ao coração. És um ser naturalmente difícil, mas pragmatizar tua conduta, é como dar nome as estrelas - estressante e sem um verdadeiro fim. Te escrevo para passar o tempo, como uma busca de saciedade da alma, que é sádica; do ponto de vista literal, é um tiro atrás do outro. Só tu.
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CARTA 3
Vou embora, o ir embora sem duas passagens. Sei que não vai pedir que eu fique, e nem sei se sentirá minha falta. Espero que sinta - confesso - e que sofras...
Espero que tenhas que dar tua generosidade egoísta, que precise comprimir teu ego, espero que doa quando teu olhar baixar, espero que faça transparecer tua humanidade. Hoje me olhaste com marcação, não sabe o que te aguarda - acha que ainda me têm! - amargará a consequência. Sinto por sentir e te escrever rancor. Mas hoje é o que tenho para ti. O inverno parece chegar...Estás preparada? Espero que não, para que pelo menos um vez, estejamos em igualdade, nem que seja por um critério nivelado por baixo.
Sei que não vais me responder, mas sei que ainda pensa...
Eu te amo, para o nosso azar.
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CARTA 4
Hoje descobri tua fragilidade e o mais interessante é que foi justamente quando tentou medir a minha. Nem sempre as coisas são como a gente quer honey. O mundo é um dado viciado, e se a gente não estiver do lado certo, cairemos com a face para baixo. A cada dia fico menos subjetivo e tenho nas palavras em ti, meu reduto. Espero que esteja lendo e que um dia me responda, mesmo que seja na tua contada forma de correspondência ao que foi dado.
Fica bem.

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CARTA 5
Preciso confessar-te que não quero que precises ler estas cartas, especialmente esta - mais pra frente explicarei o porquê.
Hoje tudo foi diferente, o sol estarrecedor, nenhuma nuvem acusando uma possível trégua do calor. Hoje andamos com a jurisprudência de não fazer mais do que o necessário e comum. Mas o comum da vida me consome. Hoje me chamou e me ajudou, foi o ato mais gratificante que eu poderia esperar de ti, és a calculista, já te disse.
Ainda hoje, sei que ficou sem saber quando me viu distraído. Mesmo tendo-te a um palmo, meus olhos, hoje, não te encontraram como antes, e a tua raiva é saber que não precisei controlá-los, foi espontâneo - como todos meus passos.
Demoramos, mas chegamos.
Reforço que não quero que recebas estas cartas. Infelizmente, se receber, saberá o porquê, sempre foi mais esperta que eu. Ou talvez nem pense nisso.

25 julho 2017

O lirismo que ela me causa

Ela é a dona dos clichês mais lindos da minha vida. Ela é um clichê, dos que não se encontra mais, mas eu a encontrei, e não largo por nada.
Ela não merece um texto - apesar de eu estar escrevendo - mas um livro, ou uma enciclopédia para enumerar suas surpresas diárias, que são muitas. Ela não é apenas "um rosto lindo e um sorriso encantador", ela é o motivo do meu encantar, e a razão pela qual sorrio mesmo quando os poços me pegam. Talvez o meu contemplar seja o seu todo, porém o que me cativa são seus detalhes, e nem tem como eu citar ou descrever - eles não são feitos por palavras.
Não quero falar da gente, quero falar unicamente dela, da dona do meu pensamento.

Preciso esclarecer que é ela que conta sua própria história - eu só a transponho para cá. Por isso sempre segue... vamos continuar?!
A gente tem andado um bocado junto, literalmente. E tenho aprendido muito como o exercício dos nossos passos. Aprendi que o mundo pode ser reduzido ao simples reflexo dos seus grandes olhos verdes, e que mesmo assim, perco-me facilmente. Vivo com ela à margem de uma eterna inércia, na qual imploro para que ninguém, nem nada, me tire. Não quero mudar, nem mesmo um passo - ao menos que ela me proponha.
Nos redobramos para nos encontrar, e o pouco tempo que temos, atua como nosso inimigo - às vezes queria que a contagem nos ignorasse, assim como os que desfrutam da nossa presença quando estamos à um palmo de distância. E se também fosse possível, que o sol se escondesse apenas às 10 da noite.
Ainda temos o receio da liberdade, que ainda nos é condicionada - apesar de escaparmos, sem pudor nenhum, da lei dessa nossa discrição. Ela ainda me causa o furor da primeira vez que a vi, ainda tira de mim todo o calculismo...mas a cada encontro, a cada cheiro, a cada beijo, descubro o quanto ela tem para me mostrar. E essa é a parte mais legal da gente.

21 julho 2017

Bem vindo aos tempos modernos

Desisto de discutir. Se há uma discussão já me dou por vencido, nem me proponho a buscar argumentos. E quanto mais óbvio, menos me vale a discussão - achei que a obviedade fosse a própria resposta. Agora deixo sempre como está - não me atrevo. Tentar mostrar o que está a um palmo da retina nunca mudará o mundo, a felicidade está na ignorância e na alienação outrora institucionalidade pelo donos do mundo.
Um papo sem vínculo, palavras cultas porém soltas, quem tem mais articulação vence - sempre foi assim. Hoje não há busca nem aprofundamento, hoje é um acúmulo de pequeno excertos de grandes manipulações que mastigam as informações e nos entregam "prontas", a preguiça mutila a averiguação. O pessimismo me faz pensar que esse não será o fim, a realidade é mais perturbante.
Cópias à moda telefone sem fio, e quanto mais se tenta conquistar, menos se tem.

12 junho 2017

Tu

Te sentir, ouvir
Faz parte dos meus hobbes
Cumprir nossos quase objetivos juntos
E escolher nossos nortes
Talvez nos afaste,
Talvez nos mate da procura do amor!




22 maio 2017

Estou me enrolando

Estou me enrolando...e já faz um tempo. Tenho textos, pensamentos, contos e excertos para publicar aqui, mas me enrolo - e não sei o porquê.
Sei que já se enrolaram, e que se arrependeram também. É a síndrome do "eu devia ter feito isso", fruto eufêmico dos que pregam que é muito melhor passar o tempo sendo produtivo e trabalhando rumo ao próximo Nobel de Literatura do que gastar seu dia vendo aquela série ou filme clichê do NETFLIX - concordo em parte. Ser produtivo é meio intuitivo que é uma decisão seguramente considerável, mas só se o fruto dessa produção for para você mesmo. Não estou pregando egoísmo - como se precisasse pregar a característica genética mais dominante do ser - só não quero que entendam que a falta de uma efetiva produtividade, menciona em algum ponto, uma falta de senso comum como benefício à sociedade, e que isso deve ser considerado como base.
(Peço desculpas pelo parágrafo digno dos livros da ala chata da livraria, precisei teorizar, não tive escolha.)
Enfim, há pontos que devem ser considerados quando nos deparamos com uma pessoa em estado Zen, já que a calma e a tranquilidade que a falta de produtividade nos proporciona, enche nossa barra de estâmina para aguentar por exemplo, uma semana chuvosa e cheia de compromissos que sempre nos espera.


01 maio 2017

Procura-se alguém para passar o inverno

Procuro calor para esse inverno. Procuro alguém para reclamar e cultivar o iminente frio que pena sobre nossas largas costas. Alguém para assistir Netflix, para fazer clichês e ser a razão desse texto anuário que expande o clichê MOZÃO.
Não quero compromisso e nem preciso de afeto, preciso de risada e discrição - não julgo a falsidade. Aceitando o convite, comprometo-me ser o mais flexível possível. No verão, a gente aperta as mãos feito desconhecidos, e se no próximo inverno ainda estivermos só, retomamos o contrato sem nenhuma referência anterior.
Falando nesse "contrato", já adianto que não envolve dinheiro, recompensa ou troca, ele baseia-se no mutualismo, em alguém que procure um inverno semelhante.
Procuro compromisso nessa relação contada e descompromissada, ISSO NÃO SE TRATA DE UM RELACIONAMENTO ABERTO. Ao aceitar você concorda com os riscos que a carência e a paixão nos coloca, e se quando os cobertores ficarem dispensáveis, o dia durar mais que a noite e o sol começar a ser novamente nosso inimigo, ainda quisermos nos manter acessíveis, tudo bem, essa generosidade egoísta faz bem em qualquer estação do ano - mas sempre esteja preparada para o não, que infelizmente, ainda é o mais comum.
Se chegou até aqui na leitura sem ódio desse pseudo escritor, talvez você esteja na mesma busca. Então, não deixe passar, haja vista que o inverno chega e a inveja dos casais em julho é cruel.

17 abril 2017

Eu com você

Rostos de paisagem crua que dão forma ao desatento. Olhos flamejantes que a cada piscar espera que uma nova conjuntura se apresente. Tolice acreditar no esperar. Ou corremos ou somos corridos.
Te esperando utopicamente, sente como é isso na real? Teu simbolismo me devora, e te rodeio. Não somos donos, nos pertencemos, até os fios descontroláveis são mutuamente um do outro. Eu pelo menos me transponho em ti, mesmo sabendo que não tem verdades - mas eu não tenho mentiras! Nos completamos.
Amor eterno ou verdadeiro é muito menor que a perdição luxúrica do espírito, já que só quero um oásis - ou um pouco de OASIS - nunca fui exigente. Não estimo o quão pronto somos, talvez estimar seja não estar pronto. Talvez meus "talvez" seja o medo do não, ou do vão que tu me causa. És a causa! E a casa no meu oásis.
A prontidão.

08 março 2017

Calculista

Abri a porta, andei calculadamente e sentei como qualquer outro. Por todos os lados vi o desespero e o desconforto estampado na cara dessas desconhecidas pessoas que vão compartilhar suas manhãs durante 5 meses na mesma pragmática sala.
Parecíamos um bando de facínoras no começo, não é exagero - e não que tenha melhorado -, observávamos uns aos outros e logo tentávamos imaginar pela aparência o porquê de estarmos na mesma situação. Posso dizer que já tenho algumas ideias, mas por motivos óbvios não me abrirei a tal comentário. Espero que possamos sofrer algumas mutações durante esse tempo de confinamento perturbador, estabelecer relações, e o mais difícil, focar no real objetivo pelo qual estamos todos no mesmo barco.
Por enquanto continuarei calculando meus passos à medida que minhas obrigações vem a galope. Vivo a expectativa do desconforto e me abro para o desconhecido - saiba que o seguro que morreu de velho, não viveu.

É meus amigos, a vida não é fácil, por isso não procuro sobreviver

24 fevereiro 2017

E eu sou jovem

E eu sou jovem. E eu tenho todo o tempo, e todos os erros para cometer. Eu tenho a desculpa da inexperiência e a proteção dos mais velhos. E eu ainda sou jovem.
E tudo passa, mesmo sendo jovem, acreditam que não tenho preocupações, nem responsabilidades, que apenas preciso decidir o rumo da minha vida aos 17 anos e que depois que eu errar, não posso tentar reafirmar meus anseios. Pois já me decidi - ou decidiram por mim.
E eu sou jovem, eu ainda tenho que escutar os erros dos que me rodeiam - e concordar. Ainda preciso pedir permissão pra simplesmente decidir sobre minha felicidade. Ainda tenho que admitir que a juventude é o período dos erros, e que até os meus acertos são erros que eu errei. Eu ainda sou jovem, e não sei quanto tempo esse paradoxo acerca da juventude vai perdurar, não sei quanto tempo ainda vão levar para entenderem que somos jovens, não juvenis. Talvez demore o tempo em que minha juventude não estará mais estampada em meu rosto, em que eu já tenha tomado o caminho normal, e que quando eu ver alguma decisão tomada por algum jovem, eu já tenha dito:
- Mas você é jovem.

Mesmo sabendo que eu já fui jovem.
E eu sou jovem

08 fevereiro 2017

Inspire-se

Isso não é um poema.

Inspire-se. A vida é você.
Viva, não sobreviva.
Não passe, ultrapasse.
Não dê satisfações, seja suas próprias satisfações.
Não temos tempo pra perder procurando ter tempo para perder-se.
Somos o todo. Mas somos nosso próprio dono?

Só me sinto seguro enquanto estou perdido. A busca é excitante, o achar é frívolo.
Já fomos. Hoje somos, mas com medo de errar.
E se não houver chão pra viver? Flutuaremos em meio ao caos.
Eu não acredito na nossa verdade.

Não faço ideia do que eu devo achar das coisas.
Nunca pedi o que a vida me deu.
Amor e ódio andam à margem da insanidade.
Por que procuramos ser se já somos?

Clichês são verdades com desculpas para não fazer.

06 fevereiro 2017

Vazio e amor

Nossa vida na maior parte é um grande vazio, mas ninguém percebe sentir, pois associam a culpa a algo, ou pior, a alguém. Quando eu falo de vazio, não falo de ignorância, burrice, falo de afeto, carinho, amor, falo de se relacionar, se sentir bem, ser mais intenso e despreocupado, ser livre.
Apesar do "vazio" representar o nada, ele te consome e te preenche - dá pior forma possível. O vazio limita nossas forças e com o tempo passa a ser nosso dono, nos dizendo o que dizer e que não devemos agir.
O vazio é amigo do orgulho, já que o primeiro te corta as pernas e o segundo não te deixa cair - a queda é a admissão do problema. "já estou cheio de me sentir vazio, meu corpo é quente e estou sentindo frio, todo mundo sabe e ninguém quer mais saber, afinal amar ao próximo é tão demodê" - talvez a resposta para o vazio esteja no amor, parece simples essa conclusão, na verdade até é, mas já parou pra pensar por que ninguém usa o amor pra resolver a vida? Porque ninguém sabe amar, nós só sabemos trocar afeto, trocar favores, por isso trocamos de amores quando o antigo não nos convém - o amor não acabou, o amor nunca existiu - ou você ama ou é vazio, o segundo nos domina e não precisa admitir fraqueza para tê-lo.
O amor nos faz refém, o vazio te conquista com a falsa autoconfiança, o amor se propaga, o vazio se isola e principalmente, te isola. O amor precisa de convite, o vazio te invade sorrateiramente, o amor é simples, mas só o vazio sabe te fazer completo, o amor é educado, mas infelizmente não somos acostumados a ser tratados bem.



Ninguém tem que coragem suficiente para responder ou talvez ninguém saiba responder. Sempre tivemos as respostas, nunca tivemos capacidade para responder, tudo isso por causa do vazio que já nos consumiu, com ele nada é tudo, e tudo é muito pouco.

02 fevereiro 2017

Desculpa, mas eu não tenho expectativas

Não há problemas em não ter expectativas. Eu não tenho e não busco criar, continuo trabalhando, e pra mim isso é o que realmente importa.
Expectativa é diferente de ter uma motivação, ambição, sonho... Podemos projetar e continuar livre das frustrações que as expectativas causam, podemos ser intensos mas despreocupados com a dor que a falha nos causa. Se pudéssemos enumerar a pior expectativa que poderíamos ter, sem dúvida é a expectativa acerca do próximo, principalmente se é alguém importante. A grande maioria não corresponde e a decepção sempre é amplificada.
Nunca há o que fazer depois que a frustração vem, como prevenir é melhor que remediar, não crie expectativas com nada e com ninguém, deixe fluir e só se preocupe com o agora. Talvez o pensar no futuro seja o agravante para a frustração. Então, foco no presente.
Eu sei. Estou parecendo um conselheiro, que sabe todos os passos, o cara experiente. Mas não. Não sou experiente e não sirvo de exemplo, talvez eu me frustre se você não gostar deste texto, ou com os que nem chegaram até aqui na leitura - não é o seu caso. Espero não causar expectativas e nem frustrações em ninguém, não quero que esperem algo de mim, espero que acreditem em mim, como eu acredito na minha capacidade de conseguir meus objetivos.
Continue e não espere, não pare por nada.

Outra coisa. A falta de expectativas não é sinônimo de tristeza com a vida.

01 fevereiro 2017

Somos coletivamente individualistas

Coletivo é a abrangência de pessoas e coisas. Portanto somos um coletivo, nosso estado comporta uma nação, formada por pessoas espetacularmente individualistas.
Eu, eu e eu. Meu mundo se resume ao único ser presente nele, eu. Não consigo enxergar um palmo na minha frente, já que o palmo não é meu, não tenho pena de ninguém porque ninguém teve pena de mim, se doeu em mim por que não pode doer em você? Essa troca de farpas e frustrações, mentiras descabíveis que quase propositalmente nos engana é como um veneno ingerido diariamente.
- Se eu me por em um pedestal, talvez as pessoas também me coloquem - tolice - numa sociedade individualista o pedestal é a nível do mar - por causa do auto engano, pensam como se fossem o pico do monte Everest -, todos se colocam naturalmente no mesmo patamar, em pé de igualdade, e como dói pra quem precisa da queda alheia pra sobreviver.
Sabe qual é a contracultura quando se é cercado por pessoas egoístas? A doação, não a material, pois essa se reconstrói, mas sim a mental, emocional, se doar por inteiro. Infelizmente mesmo se não esperarmos receber nada em troca, há a esperança da reciprocidade, não a da mesma doação, mas de não haver indiferença para quem se doa, ou até pior, ser chamado de burro, otário - termos mais recorrentes nesse mundo de isolamento e deterioração humana.
Sinceramente? Estamos perdidos meus amigos, estamos cavando nossa própria fossa, disputando quem chega ao mais fundo do poço, somos individualmente indivíduos individualistas. Somos um coletivo de egoístas.